Direitos Humanos: Felicidade em 4x no Cartão?

Direitos Humanos: Felicidade em 4x no Cartão?

Por LDS Ativos Intelectuais – Reflexões sobre o humano no meio do algoritmo

“Você só será feliz de verdade quando tiver isso.”
O anúncio piscava na tela do celular como se fosse um veredito. Não era apenas uma propaganda; era uma sentença existencial. O algoritmo tinha feito a lição de casa: vasculhou buscas, horários de insônia, cliques distraídos na madrugada. Sabia que ela se sentia sozinha, sabia que o salário não dava, sabia que o desejo era sempre um pouco maior do que o boleto possível.

Ela segurou o celular como quem segura um espelho desconfiado. Em que momento o direito humano à dignidade virou direito de ser permanentemente insuficiente? O texto prometia felicidade em 4x no cartão, mas o que a tela entregava era outro recado: “sem esse produto, você não é Você, você não merece descanso, nem amor, nem respeito”. Quando a inteligência artificial é treinada para explorar inseguranças profundas, não está apenas vendendo coisas; está negociando com o coração dos direitos humanos.

Direitos humanos, na cultura digital, não são apenas leis distantes, mas a pergunta mínima que ela se faz antes de clicar em “comprar”: “essa mensagem respeita minha vulnerabilidade ou se aproveita dela?”. Uma ética da IA que leve direitos a sério não autoriza algoritmos a transformarem fragilidades em mina de exploração emocional. A dignidade, afinal, não deveria ser um produto de vitrine, mas o chão comum sobre o qual se pisa, mesmo com o celular na mão.


* Fiz, para ilustrar, duas imagens em dois assistentes de IA com o mesmo prompt (abaixo), vamos ver os resultados, sendo a primeira gerada pelo Perplexity e a segunda com o Canva IA (configurando o Estilo em Inteligente).





"Ilustração em estilo semi-realista para blog filosófico em português. Cena principal: mulher brasileira na faixa dos 30–40 anos, pele morena clara, cabelos crespos presos em coque alto, sentada sozinha à noite na sala simples de um apartamento urbano. Luz principal vem da tela do celular, iluminando o rosto dela com mistura de fascínio e desconfiança. Na tela do smartphone, vê-se uma publicidade chamativa e um pouco agressiva (cores fortes, um produto em destaque e uma frase grande do tipo ‘Você só será feliz quando tiver isso’), mas o texto não deve ser legível, apenas sugerido. Ao redor, a sala mostra sinais de vida real: sofá gasto, uma planta meio seca, contas empilhadas sobre a mesa de centro. No fundo, bem sutil, uma TV desligada e a janela com a cidade difusa. Atmosfera melancólica e reflexiva, mostrando o conflito entre desejo induzido e dignidade. Formato horizontal 16:9."

A ideia é criar ideias e testar as ferramentas, experimentação é o fundamento essencial do artista, então bora experimentar as ferramentas.


Granhe um brinde ao ajudar o nosso projeto baseado na plataforma Benfeitoria 👇


Gratidão por ler até aqui! 😍

Comentários